

Para mim, todas as curvas eram sinuosas. E continuam sendo. Até porque “sinuoso” quer dizer “curvo”, o contrário de “reto”. Poderíamos dizer, por exemplo, que a belíssima arte de Oscar Niemeyer é sinuosa. As curvas da estrada de Santos e as mulheres, idem. O termo vem do latim sinus, que significa seio, volta ou cavidade. Palavras dele derivadas estão por aí, na Arquitetura, na Matemática, especialmente na Trigonometria, na Medicina etc. Mas... subindo a serra na BR-101 no dia 8 de janeiro, entre Joinville e Curitiba, encontrei esta pérola de dizeres, enormes, bem acima do asfalto: “curvas sinuosas”. Não tirei uma foto pois o trecho era perigoso, de “curvas sinuosas”, e também porque pensei que as imagens do Google me socorreriam. Em vão: parece que o aviso é recente.
Confesso que não foi a primeira vez que deparo com a expressão: a outra foi numa sinopse de filme pouco recomendável, com esse título, que felizmente não passou em minha televisão. E também não foi a primeira vez que vejo a língua portuguesa ser esculhambada nas placas de nossas estradas. Entre outras coisas do reino da absurdez, vemos, com frequência, o uso sem pé nem cabeça da crase, o total desconhecimento das abreviaturas de medidas (metros = m, quilômetros = km, horas = h), em que o correto é sem ponto e com minúsculas, o acento indevido colocado - via de regra em oxítonas terminadas em U -, o acento devido não colocado... e por aí vai.
Por essas e outras, pensando bem, não é tão maluca assim a suposta placa do Bar do Fritz. Faz lembrar o Programa do Chacrinha: só acaba quando termina. Igual a este texto. Cujo título, aliás, tornou-se um fortíssimo concorrente para a redundância (outrora aparentemente imbatível) de "telefone de contato". Tenho dito.

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